Arquivo & Museu da Resistência Timorense


Apresentação do Arquivo & Museu da Resistência Timorense no VI Encontro de Museus de Países e Comunidades de Língua Portuguesa, organizado pela Comissão Nacional Portuguesa do ICOM

O Arquivo & Museu da Resistência Timorense participou a 26 e 27 de Setembro de 2011, no Museu do Oriente em Lisboa, no VI Encontro de Museus de Países e Comunidades de Língua Portuguesa (Desenvolvimento e cooperação · Museus e sustentabilidade · Profissionais e sua formação), organizado pela Comissão Nacional Portuguesa do ICOM (International Council of Museums), onde o seu director fez a apresentação do projecto do Arquivo & Museu.
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Muito boa tarde a todos

Gostaria de agradecer ao ICOM a oportunidade de estar aqui hoje em representação do Arquivo & Museu da Resistência Timorense para partilhar convosco o nosso projecto, e principalmente, para ouvir e aprender com experiências diferentes mas com raízes culturais comuns.

História e Memória

Timor-Leste é ainda muito jovem enquanto nação independente, mas temos uma tradição de cruzamentos culturais e também uma herança de Resistência de muitos séculos.

Desde o tempo da administração colonial Portuguesa,

Até à nossa participação, pouco conhecida, no apoio aos Aliados contra a expansão japonesa no sudoeste asiático durante a II Guerra Mundial,

Até à Resistência à ocupação pela Indonésia desde 1975, que acabou com a realização do Referendo de Auto-determinação em 1999, quando Timor-Leste escolheu claramente a Independência.

Hoje, Timor-Leste é um país em paz, com as suas instituições em pleno funcionamento, à procura de desenvolvimento, com muito ainda por fazer e por aprender;

Mas desde muito cedo que temos também a consciência da importância de dar a máxima atenção ao passado, à Memória, a importância de nos lembrarmos dos acontecimentos, das razões, dos sacrifícios, dos sucessos e dos erros, e também das pessoas, de tudo o que nos trouxe até ao dia de hoje.

E de o fazermos com o máximo rigor e dignidade.

Preservar a memória da Resistência Timorense, principalmente da história mais recente, e transmitir a nossa herança histórica às novas gerações é a missão que foi confiada ao AMRT – como disse o Presidente Nicolau Lobato, “a nossa vitória é apenas questão de tempo”.

Salvaguardar a Memória

A criação e desenvolvimento do Arquivo documental do AMRT, com a recolha e salvaguarda dos documentos da Resistência, é um elemento central para o projecto do AMRT.

Esta missão começou em 2002, promovida pelo então Presidente da República e actual Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão, com a colaboração da Fundação Mário Soares.

Começou assim o processo de recolha e salvaguarda da documentação da Resistência Timorense por todo o país, trabalhando em articulação com as populações e lideranças locais e nacionais da Resistência.

A colaboração da Fundação Mário Soares permitiu um tratamento especializado deste património documental.

Foram aplicadas técnicas e metodologias adequadas para a conservação, classificação e digitalização dos documentos, e foi criada uma base de dados que desde 2010 está já integrada com o website do AMRT.

Este trabalho continua até hoje.

No entanto, entre 2002 e 2011, já recolhemos cerca de 50.000 documentos, entre correspondência, peças de imprensa, fotografia e claro, documentos das várias frentes da Resistência – Frente Armada, Clandestina, Frente Externa, Juventude, Solidariedade e também a Igreja.

Isto, para além da recolha de objectos da resistência:

armas, fardas, equipamentos de comunicações e outros objectos relevantes.

Tendo sempre presente a missão da transmissão da memória para o público em geral e, especialmente, para as novas gerações, já estão disponíveis 30 mil documentos em formato digital no AMRT em Díli e em Lisboa na Fundação Mário Soares.

E destes, mais de 80.000 páginas já estão também online na página do Arquivo & Museu na Internet.

Inauguração do AMRT em 2005

Em 7 de Dezembro de 2005, com o alto patrocínio do Presidente da República Xanana Gusmão e com o apoio do I Governo Constitucional e do então Primeiro-Ministro Mari Alkatiri, após 3 anos de trabalho intenso, o AMRT abriu as portas com a inauguração de um espaço renovado e uma exposição temporária localizados numa pequena parte do nosso edifício sede, que era antes o Tribunal de Díli, e que foi cedido pelo Governo Timorense para receber o AMRT.

Na altura foi uma aposta importante avançar com a obra e com a instalação imediata do AMRT numa fase ainda jovem da vida do projecto e principalmente sem ter ainda garantidos os recursos necessários para consolidar o projecto.

O certo é que hoje podemos constatar que, afinal, a preservação da memória era uma prioridade reconhecida pela generalidade do país e que a existência do AMRT muito tem contribuído para a preservação da memória histórica, reunindo cada vez mais vontades e testemunhos.

Transmitir a Memoria (2005 – 2011)

Mesmo neste espaço reduzido, entre 2005 e 2011, enquanto na Comissão Instaladora trabalhávamos nos planos e se procuravam condições para implementar a globalidade do projecto, a actividade do AMRT não parou de crescer.

Iniciámos programas de visitas de escolas e de grupos de professores,

Investimos na formação dos recursos humanos,

O AMRT acolheu diversas iniciativas, desde o lançamento de livros à realização de cerimónias de homenagem e entrega de condecorações pelo Estado aos Veteranos da Resistência.

Recebemos um número elevado de visitas oficiais, nacionais e estrangeiras.

Podemos afirmar que desde 2005 até hoje, o AMRT tem vindo a afirmar-se como uma instituição de referência.

Consolidação da Infra-estrutura

Em 2010, já com um apoio directo do Governo Timorense, começámos a recuperação e ampliação do edifício sede do AMRT. O projecto, da autoria da Arqta. Tania Correia, vem criar os espaços e condições necessários para a implementação dos objectivos que estão expressos na Carta de Princípios do AMRT, e vem responder também a uma preocupação importante com a criação de áreas para a rentabilização e auto-sustentabilidade da instituição.

É um projecto ambicioso de reabilitação e ampliação de um dos edifícios mais significativos do património arquitectónico timorense do período da Administração Portuguesa, situado mesmo no centro de Díli, junto ao Palácio do Governo, ao Parlamento e à Universidade.

Além da renovação do edifício histórico que vai acolher:

  • a exposição permanente,
  • a sala multimédia,
  • a sala de leitura
  • e área de investigação;

Apostámos na construção de uma ala nova como uma extensão do edifício histórico que será uma área de segurança dedicada

  • ao depósito de documentos
  • e ao depósito de objectos

Na outra extremidade do antigo tribunal apostámos na construção de um novo edifício, com uma linguagem contemporânea, que vem acrescentar ao AMRT:

  • um espaço para exposições temporárias
  • um auditório para 80 pessoas equipado para conferências, projecção de filmes, vídeo-conferências e com tradução simultânea,
  • uma cafetaria e uma livraria,
  • e ainda a área de serviços Administrativos, Educativos e Culturais.

30 de Agosto de 2011

O projecto e a obra da nova sede do AMRT foram apresentados publicamente no passado dia 30 de Agosto num evento que veio encerrar as celebrações da Primeira Cerimónia de Desmobilização de Veteranos da Resistência, da Frente Armada, que aconteceu no dia 20 de Agosto.

Essa cerimónia foi o resultado de um longo trabalho de 8 anos iniciado pelas primeiras Comissões de Recolha de Dados organizadas pelo então Presidente Xanana Gusmão,

E foi marcante porque confirmou e reforçou a importância da memória viva, a importância de lembrar e reconhecer o sacrifício e a dedicação daqueles timorenses a uma causa de todos os Timorenses.

Esta é também a causa e missão do AMRT.

No evento do passado dia 30 de Agosto, no AMRT, foi também apresentada a Carta de Princípios do Arquivo & Museu da Resistência Timorenses enquanto projecto de Salvaguarda da Memória Histórica, de Desenvolvimento, de Cultura e de Paz.

Recursos Humanos e Técnicos

A par da infra-estrutura e da criação de condições técnicas, um dos nossos maiores desafios é a preparação de recursos humanos de qualidade que será necessário para dar resposta aos objectivos e às ambições definidas para o AMRT.

É fundamental contar com quadros de nível elevado, tanto nas áreas organizacionais, como nas áreas técnicas, como nas áreas educacionais e de contacto com o público.

É também por todos estes motivos, em particular nesta fase do projecto do AMRT, que é tão importante esta oportunidade de podermos trocar entre nós algumas experiências. Pela minha parte agradeço, desde já, as futuras contribuições e dos países amigos da CPLP e agradeço também a partilha das vossas experiências.

2012

O ano de 2012 será também um ano muito especial em Timor-Leste.

No mesmo ano Timor-Leste irá celebrar:

  • 10 anos de independência,
  • 100 anos da revolta de Manufahi,
  • e ainda 500 anos da chegada dos Portugueses a Timor.

E teremos ainda uma outra celebração que será a Inauguração Oficial do Arquivo e Museu da Resistência Timorense, em Maio de 2012, no âmbito das comemorações da Independência.

Gostaria, por isso, de terminar deixando a todos um convite para conhecer e apoiar este projecto e celebrarem connosco a importância da preservação e valorização da memória histórica.

Muito obrigado.



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